Prometo que no próximo ano eu vou… Revista Guia da Farmácia

Prometo que no próximo ano eu vou… Revista Guia da Farmácia  janeiro de 2010.

…Emagrecer, fazer um curso, viajar ao exterior, parar de fumar, de beber, reduzir o estresse, iniciar uma atividade física e muitas outras coisas. para se tornar realidade, essas promessas precisam estar acompanhadas de uma excelente dose de motivação

Sabe aquela história de que “segunda-feira eu começo o regime”? Pois bem, essa é mais uma daquelas promessas que fazemos a nós mesmos e dividimos com os amigos no trabalho, com a família, o namorado, marido, esposa e por aí afora. No início do ano, as promessas são mais abrangentes, vão de iniciar uma atividade física a procurar um trabalho melhor, até parar de fumar, de beber e emagrecer. Aliás, essas três são as campeãs na preferência de quem tem alguma consciência dos riscos que tanto o cigarro e o álcool quanto estar acima do peso ideal trazem à saúde.

As MULHERES brasileiras são mais cuidadosas com a saúde

O problema é que, para muitas pessoas, isso tudo não passa de promessa. O ano novo começa com a rotina do ano velho. As desculpas também são sempre as mesmas: falta de tempo, “não consigo parar sozinho”, “semana que vem eu começo” e assim por diante. Quando percebemos, mais um ano se foi e lá vem promessa de novo. Para a psicoterapeuta e consultora em programas de qualidade de vida no trabalho Sílvia Ligabue, mudar exige atitude. “Quando prometemos algo a nós mesmos estamos em um estágio contemplativo e, por isso, acabamos por não realizar aquilo que sonhamos, como parar de fumar, emagrecer etc. Tudo fica para a próxima segunda-feira, próximo mês, próximo ano.

Agora, para que de fato possamos cumprir nossas próprias promessas, é necessária a mudança de nossos hábitos e que façamos escolhas com responsabilidade, acreditando sempre que tudo é possível. Desde que tenhamos atitude”, explica.

ANTES DE PENSAR EM PRATICAR EXERCÍCIO É PRECISO IDENTIFICAR UMA ATIVIDADE QUE DÊ PRAZER AO INDIVÍDUO, OU SEJA, QUE ELE GOSTE E SE SINTA BEM REALIZADO

Ainda segundo a psicoterapeuta Silvia Ligabue, estudos realizados pelo Ministério da Saúde concluem que as mulheres brasileiras são mais cuidadosas com a saúde do que os homens. Alimentamse melhor, fumam e bebem menos e procuram mais os serviços médicos para exames preventivos, além de sofrerem menos com excesso de peso. “Mas mesmo assim ainda é necessário que os brasileiros enfrentem o desafio de mudar os maus hábitos para a melhora da saúde e bem-estar. E, para que isto ocorra, o importante é transformar hábitos saudáveis em valor pessoal”, relembra.

EXERCÍCIOS FÍSICOS FAZEM BEM PARA O CORPO E PARA A MENTE

Uma simples caminhada regular pode trazer inúmeros benefícios. Entre as mais frequentes desculpas dos sedentários está a falta de tempo para se dedicar a algum tipo de atividade física ou então aquela máxima: “não gosto de clima de academia”. Desculpas à parte, os benefícios dos exercícios são tantos que vale qualquer sacrifício. O fisiologista e pesquisador do Centro de Estudos de Medicina da Atividade Física e do Esporte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Renato Romani diz que antes de pensar em praticar exercício é preciso identificar uma atividade que dê prazer ao indivíduo, ou seja, que ele goste e se sinta bem realizado. “Fazer exercício tem de ser divertido.

Se a pessoa vai optar por andar de bicicleta, caminhar, correr, ir para a academia, não importa, o que vale é buscar alternativas que se adequem ao perfil de cada um. Se se trata de alguém mais introspectivo, por exemplo, a caminhada é uma boa dica”, diz Romani. O médico ainda lembra que, antes de iniciar a atividade, é preciso que o interessado em fazer exercícios passe pelo consultório, para checar se está apto para essa prática.

Motivação é a palavra-chave para tudo na vida. Seja para buscar novos desafios profissionais, seja para mudar hábitos, é preciso ter um objetivo e segui-lo. De acordo com Renato Romani, a prática de exercícios físicos passa pelo mesmo raciocínio e a relutância de alguns pode estar ligada a questões de fundo psicológico. “Nem todo mundo tem objetivos na vida. Há pessoas que não se sentem motivadas a nada e, por isso, não conseguem sequer encontrar uma atividade que lhes dê alegria.

O exercício físico deve ser praticado porque é bom e não só porque ajuda a emagrecer, por exemplo. Essa deve ser a motivação. Melhor assim do que ser obrigado a fazer porque o médico mandou. Há uma frase que costumo dizer para quem reclama que não tem tempo para se exercitar: se você não tem tempo para fazer exercício, vai ter tempo para ficar doente”, diz.

MANTER O PESO SAUDÁVEL COLABORA PARA GANHO EM QUALIDADE DE VIDA

A balança é o inimigo público número um das mulheres e dos homens também. Antes de subir naquela máquina da verdade, uma série de dúvidas tomam conta da gente: será que essa balança está bem calibrada? Humm… Eu comi um docinho a mais no fim de semana. Será que engordei por isso? Não, vou fazer mais uma dieta e depois me peso! O medo da balança não é nada perto do mal que o sobrepeso faz à nossa saúde. A obesidade aumenta o risco de doenças como diabetes mellitus, nível de colesterol alto, problemas cardiovasculares, entre outras.

O perigo também ronda as dietas milagrosas que são incessantemente testadas por homens e mulheres sem acompanhamento médico e o mesmo se pode dizer do uso indiscriminado de inibidores do apetite. De acordo com a endocrinologista e médica assistente de endocrinologia do Hospital São Luiz, unidades Itaim e Morumbi, e coordenadora do Serviço de Endocrinologia da Maternidade Pro Matre e Hospital e Maternidade Santa Joana, Fernanda B.

Uliana Pulzi, dietas não balanceadas trazem consigo riscos de anemia, desnutrição, pele ressecada e descamativa, queda de cabelo, unha frágil, diarreia, náuseas, entre outros. “Além destes efeitos indesejáveis, o indivíduo pode não atingir o peso desejado, por falta de orientação, e sofrer o temido “efeito sanfona”, ou seja, redução brusca do peso com rápida recuperação após término da dieta, o que é péssimo para a saúde”, orienta.

Para quem busca perder peso com saúde e ganhar qualidade de vida, a especialista afirma que o primeiro passo é consultar o médico. “É importante procurar um endocrinologista para realizar a avaliação clínica adequada, afastar alterações hormonais que levam ao aumento de peso, como alguns distúrbios tireoidianos, adrenais, hipofisários, entre outros, e investigar complicações associadas à obesidade, que são frequentes e de gravidade relevante, porém assintomáticas, portanto geralmente desconhecidas pelo paciente”, diz.

Ainda segundo Fernanda Pulzi, o cerne do tratamento atual da obesidade baseia-se em terapias comportamentais dirigidas no sentido da modificação de atividades e hábitos relacionados à alimentação, exercício para aumentar o gasto calórico e orientações nutricionais para diminuir o consumo de calorias e, particularmente, de gordura. A médica ainda afirma que os medicamentos, quando necessários, são apenas complementares. “Exercícios físicos devem ser realizados no mínimo três vezes por semana.

A alimentação deve ser balanceada e fracionada, o que aumenta o gasto energético, sendo a noturna a mais leve e pelo menos duas horas antes de deitar. Além disso, devem-se evitar alimentos gordurosos, doces, refrigerantes e bebidas alcoólicas e não pular refeição, principalmente o café da manhã, pois este é um erro frequente dos pacientes acima do peso”, orienta.

De acordo com a nutricionista funcional Priscila Spiandorello, para começar o ano com o pé direito não é preciso fazer alterações radicais na dieta, mas, sim, iniciar um plano de alimentação equilibrada. “Alterações radicais desanimam e assim desistimos fácil. O ideal é pensar no que a pessoa normalmente come e, se for preciso, deve-se escrever em um papel e analisar. Outra dica é fazer algumas trocas: por exemplo, colocar arroz integral duas vezes na semana como substituição ao arroz branco, além de experimentar novos alimentos, frutas, legumes e verduras.

ESPECIALISTAS DÃO DICAS PARA PROMOVER O BEM-ESTAR E O GANHO EM QUALIDADE DE VIDA
 Mastigue bem os alimentos. Coma de forma fracionada, de preferência a cada duas ou três horas.

 Procure um ambiente calmo para realizar as refeições e não coma assistindo à televisão.

 Durma pelo menos oito horas por noite.

 Durante períodos de ansiedade, procure outra “válvula de escape” que não seja o alimento, como exercícios físicos ou leitura.

 Prefira alimentos integrais, particularmente arroz e pães.

 Insira frutas, verduras e legumes na alimentação diária.

 Beba muita água, pelo menos dois litros por dia.

 Arrisque-se, experimente exercícios físicos que você nunca praticou. Busque algo diferente e que proporcione bem-estar.

O importante é entender que é preciso mudar nossa alimentação para ter novos resultados em nosso corpo e mente”, afirma a especialista. Agora, para quem exagerou no fim de ano, Patrícia Spiandorello conta que o segredo é compensar nos dias seguintes. “Nada de ficar de jejum, é preciso ingerir muito líquido, de preferência água ou água de coco, para auxiliar na desintoxicação do corpo, além de favorecer a hidratação. Também é importante consumir alimentos leves, nada de molhos ou preparações muito elaboradas, e frutas cruas, sucos naturais, carnes magras, e uma bela salada, composta de folhas e legumes. O segredo é comer tudo em pequenas quantidades, sem exageros. Seu corpo agradece”, orienta.

ANO NOVO, VIDA NOVA E DE PREFERÊNCIA SEM O CIGARRO

O tabagismo já foi visto como um estilo de vida. O cigarro conferia um certo charme aos fumantes, mas há algum tempo e de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo é reconhecido como uma doença e principal causa de morte evitável em todo o mundo. Segundo a psicoterapeuta Sílvia Ligabue, o hábito e as dependências tanto emocional quanto química fazem com que o fumante tenha muita dificuldade para largar o vício.

Para ela, não é impossível que alguém pare de fumar sozinho. “O primeiro passo é ter a consciência de que se quer parar de fumar agora e não um dia. E o segundo é buscar orientação especializada de um psicólogo e de um médico para que o fumante alcance seu objetivo. O apoio emocional, a mudança de hábito e trabalhar a dependência química são condições muito importantes para o êxito do tratamento.

O sofrimento acaba sendo muito mais controlado e aliviado e tudo fica mais fácil, com certeza”, afirma. Sílvia ainda lembra que, quando uma pessoa para de fumar, os benefícios à saúde são imensos. “Após um ano, o risco de sofrer infarto cai 50% em relação a um fumante. Além disso, após duas semanas a três meses a respiração fica mais fácil e a circulação melhora”, conta.

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