Trabalho sobre contaminação de alimentos por ácaros dá prémio a aluno da UA

“Quando estes microrganismos contaminam um alimento e se desenvolvem, têm determinados compostos que degradam o alimento e isso transmite-se em compostos que facilmente se volatilizam e que são retidos numa fibra feita à base de polímeros”

2012-01-26
Por Luísa Marinho
Ângelo Salvador, da Universidade de Aveiro

Por ter desenvolvido “uma investigação inovadora sobre alimentos contaminados por ácaros”, com a aplicação de uma técnica de cromomatografia, Ângelo Salvador, aluno de doutoramento no Departamento de Química da Universidade de Aveiro, foi premiado na categoria «Solid Phase Microextraction», no 7º Congresso Nacional de Cromatografia, organizado pela Sociedade Portuguesa de Química.

 

Em conversa com o «Ciência Hoje», o cientista explicou de que se trata o trabalho. “Há indivíduos que são sensíveis aos ácaros, nomeadamente através da inalação, tendo reacções alérgicas. No entanto, foram já relatados choques anafiláticos por ingestão de produtos com a presença de ácaros”.

Como “quase todos os cereais têm ácaros” (animal microscópico que normalmente se acumula em alcatifas, colchões, cobertores), era necessário desenvolver “uma metodologia para controlar” a quantidade destes.

O investigador utilizou um marcador químico, “um composto que já estava documentado na literatura associada aos ácaros” e fez uma abordagem inédita que correlacionou o composto nos alimentos. “Este composto é uma feromona sexual dos ácaros”, esclarece.

Aplicando a SPME (microextracção em fase sólida), um processo cromatografia (separação de misturas), conseguiu fazer a avaliação do grau de contaminação por ácaros em cereais e grãos de café.

“Quando estes microrganismos contaminam um alimento e se desenvolvem, têm determinados compostos que degradam o alimento e isso transmite-se em compostos que facilmente se volatilizam e que são retidos numa fibra feita à base de polímeros”, explica. Com o aparelho GC × GC – ToFMS, o investigador conseguiu separar os compostos todos e identificá-los.

É assim possível, pela primeira vez “pegar diretamente na amostra e automaticamente ter o resultado da contaminação ou não por ácaros desse alimento”.

O trabalho de Ângelo Salvador intitula-se «Can Volatile Organic Metabolites Be Used to Simultaneously Assess Microbial and Mite Contamination Level of Cereal Grains and Coffee Beans?» e resulta da colaboração entre uma equipa do Departamento de Química, coordenada por Sílvia Rocha, e outra do Departamento de Biologia, coordenada por Adelaide Almeida.

O prémio foi um valor monetário convertido em material de laboratório.

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